Em vigorCulturaLei municipal 16011/2026
Rodeios e provas de laço agora fazem parte oficialmente da memória cultural de Ponta Grossa
Lei 16011/2026 coloca rodeios, cavalgadas e esportes equestres na condição de patrimônio cultural imaterial do município. Imagem meramente ilustrativa, feita por IA.
Clayton Ribeiro

O que mudou
Ponta Grossa passou a reconhecer oficialmente os rodeios, provas de laço, esportes equestres, cavalgadas e demais manifestações tradicionais campeiras como patrimônio cultural imaterial do município. Na prática, a lei atribui valor cultural a essas atividades, considerando-as expressões da história, das tradições e da identidade local.
A medida foi instituída pela Lei nº 16.011/2026, publicada no Diário Oficial do Município em 13 de agosto de 2026. A norma teve origem no Projeto de Lei nº 213/2026, de autoria do vereador Julio Kuller, aprovado pela Câmara Municipal em sessão ordinária realizada em 27 de julho de 2026 e posteriormente sancionado pela prefeita.
O que o texto efetivamente diz
Diferentemente de outras normas que apenas fazem uma declaração simbólica, a Lei nº 16.011/2026 também estabelece alguns parâmetros para a realização dessas atividades no município.
O artigo 1º reconhece como patrimônio cultural imaterial os rodeios, provas de laço, esportes equestres, cavalgadas e demais manifestações tradicionais campeiras. Já o artigo 2º afirma que essas práticas constituem manifestações culturais nos termos dos artigos 215 e 216 da Constituição Federal, da Emenda Constitucional nº 96/2017 e da legislação federal pertinente.
A lei também autoriza o Poder Público Municipal a promover políticas de incentivo, preservação, valorização e divulgação dessas manifestações culturais. Contudo, esse incentivo deverá respeitar as normas relacionadas à segurança, à saúde pública e ao bem-estar animal.
O que se pode afirmar com segurança é que a lei reconhece essas atividades como patrimônio cultural imaterial e abre a possibilidade de ações de incentivo por parte do município. Entretanto, a norma não cria automaticamente benefícios financeiros, subsídios ou apoio obrigatório para organizadores de eventos.
Quem é afetado
A lei interessa diretamente a entidades tradicionalistas, associações de laço, organizadores de rodeios, promotores de eventos equestres, cavaleiros, criadores e demais participantes das atividades campeiras.
Também alcança o Poder Público Municipal, que passa a ter autorização legal para desenvolver políticas voltadas à valorização e preservação dessas manifestações culturais.
Além disso, a norma afeta os organizadores de eventos, que deverão observar requisitos específicos relacionados à presença de médico veterinário habilitado, equipe médica e profissionais da saúde durante a realização de rodeios e esportes equestres.
O que a lei não garante
O reconhecimento como patrimônio cultural imaterial não significa liberação automática para a realização de eventos. A própria lei determina que rodeios e esportes equestres continuem sujeitos à legislação federal, estadual e municipal aplicável.
Também não há previsão de repasse obrigatório de recursos públicos, concessão automática de espaços municipais, isenções tributárias ou qualquer forma de benefício financeiro direto.
A norma exige que os eventos observem, entre outras regras, a presença de médico veterinário habilitado, equipe médica e estrutura compatível com as normas vigentes. Além disso, determina o cumprimento das Leis Federais nº 10.220/2001, nº 10.519/2002 e nº 13.364/2016, que tratam da atividade de peão de rodeio, da promoção e fiscalização de rodeios e do reconhecimento de práticas equestres e rodeios como manifestações culturais nacionais.
Outro ponto importante é que a lei prevê regulamentação pelo Poder Executivo. Isso significa que aspectos práticos de sua aplicação poderão ser detalhados posteriormente por decreto ou outro ato administrativo.
O que fazer agora
Entidades, organizadores e participantes de eventos campeiros que pretendam utilizar o reconhecimento previsto na Lei nº 16.011/2026 devem acompanhar eventual regulamentação municipal e verificar como o município pretende implementar políticas de incentivo e valorização dessas atividades.
Também é recomendável observar rigorosamente as exigências legais relacionadas ao bem-estar animal, à segurança dos participantes e do público, à presença de profissionais de saúde e às demais autorizações necessárias para a realização dos eventos.
Para o cidadão que apenas deseja entender a mudança, o efeito imediato da lei é o reconhecimento oficial dessas manifestações como parte do patrimônio cultural imaterial de Ponta Grossa. Os impactos práticos mais relevantes dependerão das políticas públicas e regulamentações que venham a ser adotadas pelo município a partir desse reconhecimento.
Fontes oficiais
- 1 · Diário OficialPrefeitura Municipal de Ponta Grossa
Lei municipal publicada — Lei 16011/2026
Documento oficial ↗Capturado pela esteira; conferir o texto integral antes de publicar.
A numeração indica a hierarquia de confiabilidade adotada pela redação: 1 Diário Oficial · 2 inteiro teor · 3 acórdão · 4 comunicado oficial · 5 assessoria de imprensa. Texto redigido de forma original a partir dos documentos citados, sem reprodução de trechos protegidos.
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